O Itaú Cultural (IC) apresenta de 12 a 17 de maio uma programação de dança em sinergia com a Ocupação Ana Botafogo, exposição em cartaz na instituição até 21 de junho. A mostra reúne cinco trabalhos de dança criados e interpretados por bailarinas de cinco diferentes estados – Alagoas, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo –, que, assim como Ana Botafogo, seguem expandindo, tensionando e reinventando as possibilidades e a pluralidade dos caminhos da dança no Brasil.
As apresentações são gratuitas, como todas as atividades do Itaú Cultural. As sessões acontecem de terça-feira a sábado às 20h, e no domingo às 18h. Os ingressos devem ser reservados a partir das 12h do dia 5 de maio (terça-feira), por meio da plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural
A mostra tem como ponto de partida a trajetória dos 50 anos de dança de Ana Botafogo, artista que é um marco na consolidação e difusão do balé clássico no país ao aproximar o público dessa linguagem e ao afirmar a dança como um campo de excelência artística. A partir do diálogo com esse legado, a programação dá luz a outras camadas da produção contemporânea da dança, por meio de trabalhos que atravessam eixos como corpo, território, tradição e reinvenção, passando pelo clássico, o contemporâneo, a dança popular e a ancestralidade.
Nesse contexto, o diálogo com a Ocupação Ana Botafogo ganha ainda mais densidade. Se sua trajetória abriu caminhos para a presença e a valorização da dança no país, esta programação evidencia como esses caminhos seguem sendo ampliados por outras gerações de artistas mulheres que continuam materializando a dança como espaço de presença, criação e reinvenção.
Novas direções
No dia 12 (terça-feira), às 20h, a programação abre com a estreia de Transversa, espetáculo da bailarina paulista Ana Catarina Vieira, que investiga a sua trajetória de duas décadas de pesquisa e criação como artista. A sua formação é atravessada pelo balé clássico, as danças populares brasileiras e a criação contemporânea.
Desenvolvida especialmente para a mostra, a obra parte de procedimentos da dança, como repetição, reinício e organização formal do movimento. Ana Catarina propõe no trabalho uma colagem de referências coreográficas presentes nas suas criações, articulando criações anteriores a questões atuais. Assim, pondera sobre um corpo que já não cabe na forma que o constituiu e que, por isso, cria outras possibilidades de existência.
No dia 13 (quarta-feira), mesmo horário, é a vez da artista alagoana Joelma Ferreira apresentar Cheia, espetáculo que une dança e audiovisual para refletir sobre a relação ancestral de mulheres negras filhas de Oxum com o chão em que vivem. No trabalho, dirigido por Gessyca Geyza, esses territórios vão se modificando a partir da presença dessas mulheres em seus processos de empoderamento, numa relação direta com as águas que inundam o próprio corpo-território que elas são.
Também às 20h, na quinta-feira (dia 15) Inaê Moreira apresenta Ecos da separação, obra na qual essa bailarina baiana radicada no Rio de Janeiro constrói uma experiência sensorial a partir de frames de sonhos, gestos e sonoridades que resistem ao esquecimento e convocam presenças negras. Em paralelo à paisagem sonora criada em tempo real pela DJ Marta Supernova, a artista cria, ainda, uma relação poética com rastros de si mesma, guiada pelos sons do instrumento musical N’goni, que leva à cena.
Em grupo
Na sexta-feira, dia 15, o trio de bailarinas pernambucanas Inaê Silva, Luara Olívia e Marcela Filipe apresenta Locomotivas. A obra revisita o frevo, este patrimônio cultural brasileiro, abrindo um diálogo entre a cultura popular, a dança contemporânea e o audiovisual.
Com direção de Jorge Garcia, o trabalho transforma o corpo em motor e a memória em combustível, dando luz a narrativas históricas que foram silenciadas, a exemplo do protagonismo das mulheres negras no frevo. O espetáculo tem como inspiração a videodança homônima, lançada em 2021, e traça caminhos de resistência, improviso e reinvenção, além de abrir novas possibilidades de se dançar o frevo no tempo presente.
A programação fecha com Q Brô, espetáculo apresentado nos dias 16 e 17 (sábado, às 20h, e domingo às 18h) pelas artistas mineiras Dudude e Lina Lapertosa. Apesar das trajetórias distintas dentro da dança - uma ligada à pesquisa da improvisação e a outra formada no rigor do balé clássico -, elas constroem juntas, no palco, uma experiência que entrelaça técnica, escuta e liberdade. O espetáculo é uma ode experimental, onde seus corpos se lançam, jogando sementes no desejo que virem brotos, flores e frutos, sendo poeticamente um plantio de criação e entrega.
SERVIÇO
Mostra de dança em sinergia com a Ocupação Ana Botafogo
De 12 a 17 de maio (terça-feira a sábado, às 20h, e domingo às 18h)
No Itaú Cultural
Teatro (piso térreo)
Capacidade: 224 lugares
Entrada gratuita. Reservas de ingressos a partir de 5 de maio (terça-feira), às 12h, na plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br
