Discos essenciais para o AMESLARI


Cantor e compositor, que acaba de lançar dois novos singles, escolhe músicas e álbuns que moldaram o seu som. Foto: Rafael Vilas Boas. 

Mais uma edição do Discos Essenciais, seção preferida da casa e que traz os ábuns, múiscas e artistas que não apenas inspiram musicalmente, mas ajudam a definir estética, atmosfera, composição e até a forma de enxergar arte.

Hoje, o cantor e compositor AMESLARI é o convidado. O músico, que acaba de lançar dois novos singles, “Absence”  “A Billion Different Ways To Find You”, escolhe algumas de suas referências, que passam por rock progressivo, synthpop, indie rock, música eletrônica melódica e artistas que transformam emoção em ambientação sonora. Confira!

"Coloquei as músicas aqui sem ordem nenhuma, pra que fique claro. Numerei só pra facilitar mesmo. E poderia ter colocado tantas outras".

Subdivisions” – Rush (do álbum “Signals”, de 1982)

Rush é minha banda favorita. Conheci o som deles na pré-adolescência e me encontrei ali – música para “outcasts”, feita por “outcasts”. O som deles tem uma “magia” inexplicável pra mim, coisa que poucos artistas têm.

Escolhi especificamente “Subdivisions” por vários motivos. Ela tem timbres de teclado que me encantaram muito, de uma leveza incrível, delicada, mas que envolve, tem corpo e uma vibe que até hoje me fascina. 

A letra também é linda. As pessoas lembram (com razão) do Neil Peart baterista, mas muitas vezes se esquecem do brilhante letrista que ele era.

Essa combinação de timbres e atmosferas incríveis, somadas a rock ‘n’ roll de qualidade e uma letra fantástica, me inspira muito.

“Wake Me Up” – Avicii (do álbum “True”, de 2013)

Coloco o Avicii nesta lista porque sem ele eu não amaria música dance como amo. Esta música especificamente foi a primeira dele que conheci.

Ele diz no documentário “Meu Nome É Tim” que era um “maluco da melodia” (“melody freak”, em inglês), ou seja, que melodias tinham importância muito grande pra ele quando compunha. Me identifico muito com isso. Várias vezes a melodia pra mim é até mais importante do que as letras.

Além disso, os “drops” das músicas dele (que são como refrãos por si só) me inspiram muito a escrever alguns dos trechos instrumentais que escrevo, principalmente introduções, e de valorizá-los nas músicas. Avicii era um artista fantástico que infelizmente foi embora cedo demais.


Somewhere Only We Know” – Keane (do álbum “Hopes And Fears”, de 2004)

Conheci Keane na minha infância e amo a banda desde então. Lembro até hoje de ver o clipe desta música na TV, com eles tocando na floresta e os olhos de criaturas misteriosas observando das sombras, com um piano velho no meio do riacho.

O som de piano do Keane, aliás, é uma das coisas que mais me encanta neles. Aquele timbre de piano elétrico é fascinante pra mim até hoje, trazendo um brilho único pro som da banda, que junta melancolia e alegria de uma forma ímpar. Isso tudo sempre me inspirou muito.

As letras deles são algumas das mais lindas que já li. Tratam da vida com uma maturidade muito grande, do tipo de coisa que só dá pra entender conforme se vai vivendo e sentindo o tempo passar. Que espetáculo de banda!

“Mr. Brightside” – The Killers (do album “Hot Fuss”, de 2004)

Aqui poderia estar “Somebody Told Me”, “Flesh And Bone”, “Human” ou alguma das tantas outras músicas que eu amo do Killers. Escolhi esta porque, na minha cabeça de adolescente que sonhava em ser músico, ela era a mais perfeita definição da vibe de som que eu queria fazer.

Tudo nela é fantástico: os teclados, a guitarra, a bateria forte (como toca Ronnie Vannucci!) e a voz de Brandon Flowers. A letra é muito interessante também, uma forma bem legal de falar de ciúme. Uma das músicas que mais gosto no mundo, como todas as que estão aqui.

“Funeral For A Friend / Love Lies Bleeding” – Elton John (do album “Goodbye Yellow Brick Road”, de 1973)

Meu maior ídolo não podia ficar de fora de uma lista assim. Escolhi esta música porque captura algo que amo: músicas longas bem construídas, que vão se desenvolvendo em partes diferentes e perfeitamente complementares, com melodias matadoras e dinâmica impecável (da leveza do começo, bem baixinho, até a catarse rock ‘n’ roll, abrindo o genial álbum “Goodbye Yellow Brick Road” como quem entra chutando a porta da sala).