Livros e HQs essenciais para Pedro Ivo

 
Autor de Cidadão Incomum, que vai virar filme, escolhe as obras que mais o influenciaram. Foto: Divulgação.

Crítica social, ficção científica e elementos sobrenaturais. Essas sãos as temáticas da maior parte das obras de Pedro Ivo, escritor, quadrinista e criador da série literária Cidadão Incomum, que será adaptada ao cinema, e conta a história de Caliel, um ator que, de repente, desenvolve superpoderes.

Para tentarmos entender de onde surgem as inspirações de Ivo, ele escolhe as obras que mais o influenciaram. Tem Alan Moore, Lourenço Mutarelli e mais. Confira!

HQ — Powers, escrita por Brian Michael Bendis

Quando o assunto é roteiro de quadrinhos, Brian Michael Bendis é uma das minhas principais referências. A forma como ele transita entre o ordinário e o fantástico, usando esse contraste para dar profundidade aos personagens, é realmente inspiradora.

Gosto muito de como ele constrói diálogos. Bendis transforma uma premissa simples como Powers em uma experiência quase sensorial, conduzida por ritmo, silêncio, interrupções e pela naturalidade meio caótica da fala humana.



Livro — Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach


Esse clássico dos anos 1970 foi a primeira machadada que abriu a minha cabeça para a vida. Deu forma, conteúdo e profundidade às histórias que eu imaginava na infância, além de me apresentar, ainda muito cedo, aos grandes dilemas filosóficos da existência e da religiosidade.

HQ — Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons

Aqui estou jogando no seguro: Watchmen é a obra definitiva do gênero de super-heróis e uma aula monumental de controle narrativo. A cada cinco ou seis anos, paro tudo para reler o quadrinho — e sempre encontro uma camada nova, descubro um detalhe que tinha escapado, fico dias com uma frase martelando na cabeça.





HQ — Starman, de James Robinson, Tony Harris e Wade Von Grawbadger

Essa série foi o big bang que me inspirou a criar Cidadão Incomum. Foi com esse trabalho maravilhoso, que reinventa um dos heróis mais cafonas da DC, que percebi que também poderia usar super-heróis para falar de assuntos mais próximos da nossa vida: legado, ancestralidade, ruptura de tradição, cultura, família e identidade. 
Starman é uma releitura adulta, mas não cínica, do que são os super-heróis e do que eles representam.


HQ — A caixa de areia: Ou Eu era dois no meu quintal, de Lourenço Mutarelli

Um dos quadrinhos mais “fora da caixa” que já li. Antes de o termo autoficção se popularizar, Mutarelli, nessa obra publicada originalmente em 2006, já misturava autobiografia, sonhos e ficção.

Aliás, as obras de Mutarelli são o mais próximo que o quadrinho pode chegar da alta literatura e vice-versa.

A caixa de areia tem sido uma obra fundamental para o trabalho autoral que estou produzindo atualmente, e eu queria demais que o Brasil inteiro voltasse a ler Lourenço Mutarelli.