Crítica faixa a faixa: Black Pantera - Continental


 Avalanche sonora de qualidade no quinto álbum da banda. Foto: Hugo Brito.

"Poucas palavras", trecho de "Serotonina" (que conta com participação de Duquesa), definem Continental, quinto álbum do Black Pantera que acaba de ser lançado: Aalanche sonora de qualidade e mais uma evolução dos trabalhos anteriores (que pra mim se conectam entre si).

A faixa-título, citando (e incluindo fala) Milton Santos, geógrafo e pensador abre muito bem o trabalho em que a ancestralidade ainda soa forte, especialmente em faixas como "Quando canto", em uma participação matadora de Sandra de Sá. 

"Velho jeans rasgado" é uma ode ao punk dançante (mas de protesto) com uma letra que me pegou: "Serei tudo que eu sempre quis, por dentro eu grito/agora o show começa aqui, me sinto vivo" Essa dá pra "pogar bastante nos shows ao vivo (e ainda se emocionar).

"Hórus", lançada como segundo single, é aquela porrada na cara do branco de olho azul aqui, que nunca sequer passou por 00001% do preconceito sofrido por negros (embora filho e irmão). Necessário demais.

Em Negusa Negast", o "baixão" e o vocal de Chaene da Gama, mais limpo que o do irmão (o poderoso gutural de Charles),  temos religião, negritute e peso característico da banda. "Start the game", música de trabalho, podia abrir o disco, inclusive, iniciando os trabalhos de forma magistral.

Falei do gutural de Charles? E o que dizer da combinação dele com Derrick Green, do Sepultura, em "Obsoleto". Um hardcore curto e direto, com 1 minuto e 42 segundos pra bater cabeça.

"W..P.P" escancara o "problema" das pessoas brancas (o white people problem na sigla da música). A trilha sonora perfeita para Bruno Gagliasso`s, Fiuk's e afins. Ouçam no volume máximo (no final uma referência a marcha fúnebre? Peguei).

Falei de ancestralidade? O início de "Banzo", com participação de Chico César, me lembrou muito as composições do compositor baiano,  a crítica social e a adicão do peso da banda na medida certa.

"Yasuke", guerreiro africano que viveu entre samurais japoneses, ficaria orgulhoso da faixa que leva seu nome. "Sic mundus" fala do cotidiano dos "devoradores de mente", mas não o de Stranger Things, ali, pra mim, a referência clara é o capitalismo, em que a gente viver "correndo contra o tempo".

"Punhos cerrados" encerra Continental, como falei antes, com uma avalanche (e essas mini-metralhadoras do Rodrigo "Pancho"na bateria em todo o disco? Haja preparo físico, amigos)

Peso, melodia, tudo ali se completa perfeitamente em mais um belo trabalho do trio, que hoje é um dos principais nomes do rock nacional. Quem venham mais!