Discos Essencias para a banda Chococorn and the Sugarcanes

Quarteto, que acaba de lançar dois singles para promover seu novo álbum, escolhe os trabalhos que mais os influenciaram. Foto: Divulgação.

A primeira seção Essenciais de 2026 traz a banda Chococorn and the Sugarcanes, oriunda da cidade de Santa Bárbara d`Oeste, em São Paulo, e que tem conquistado fãs a cada novo lançamento e shows por todo o país.

O quarteto, que acaba de lancar A Vida de Messi e 30 dias de Carnaval (que você pode ouvir ao final do post), dois primeiros singles do seu segundo álbum, escolhe os discos que mais os influenciaram. Tem Kendrick Lamar, Talking Heads e muito mais. Confira!

Alecandre Luz (bateria e vocais):

Provavelmente os dois álbuns que me motivaram a começar a fazer música, ainda instrumental na época no meio da pandemia, foram o "The Earth Is Not a Cold Dead Place" do Explosions in the Sky, um clássico do post-rock e o "American Football" da banda com o mesmo nome, que me apresentou a sonoridade do midwest emo e mostrou outras formas de se compor.

Desde então eu venho junto da banda criando um ímpeto de sempre buscar evoluir como músico e isso transparece nas nossas composições em que algumas foram trazidas por mim, quanto no meu gosto musical.

Outro que me expandiu bastante foi o primeiro dos Los Hermanos, porque aí pude entender que as misturas de gêneros musicais são o caminho pra inovação e pra autenticidade, além de poder ter devolvido uma estima ao rock nacional que foi muito importante pra quem cresceu ouvindo música estadunidense.

Ainda no âmbito nacional, eu com a banda fiquei viciados no "Inacabado" do Polara, porque é um álbum muito jovem e muito fácil de gostar. Ele e o "Tempestade Bipolar" moldaram muito o som da Chococorn e fico muito feliz de ter me conectado com o Carlos Dias do Polara porque acho lindo essas crônicas de juventude e como as cenas de outras gerações acabam se encontrando. Quando você tem banda você também tem que homenagear a todos que vieram antes e que participaram da mesma cena que você, só alguns bons anos antes. 

Algumas menções honrosas podem ser o "Hatful of Hollow" dos Smiths por ser uma coisa minha com minha mãe. O "Remain in Light" do Talking Heads. "Keep It Like a Secret" do Built to Spill e o "Secos e Molhados" de 1973.


Pedro Guerreiro (guitarra solo e vocais):

Eu, Pedro, penso em uma mistura de sentimento pessoal, sonoridade e momento da vida ao escolher esses discos que foram relevantes para mim. O primeiro que consigo pensar é o "True Stories", do Talking Heads, primeiro disco de vinil que tive e que desperta memórias muito boas toda vez que ouço. E, que mesmo sendo de 1986, ainda me soa muito atual de forma que acabo ouvindo ele frequentemente.

Sinto que tenho que citar também "Worry", do Jeff Rosenstock, um dos primeiros discos em que me apaixonei por inteiro simplesmente pela sonoridade. E em 2019, quando ouvi pela primeira vez, me trouxe a vontade inexplicável de ter uma banda para fazer músicas como as que estão nesse disco. Essa semana voltei a ouvir esse disco frequentemente.

E por último gostaria de citar não só o disco, mas a banda que me fez querer tocar guitarra. O Nirvana, e mais especificamente o disco "In Utero", que traz guitarras e vocais agressivos dentro de uma produção muito cru liderada por Steve Albini. Ao ouvir pela primeira vez aos 11 anos senti que era capaz de tudo, inclusive de tocar guitarra, o que dei início no mesmo ano.


Pietro Sartori (baixo e vocais):

Pra mim, Pietro, o Kendrick Lamar sempre fez álbuns que parecem transcender a própria mídia, explorando tantas temáticas de maneiras tão profundas e ampliando muito a ideia do que um disco pode ser. Mas talvez o Mr. Morale and the Big Steppers seja o que mais me surpreenda constantemente, com toda a autorreflexão que ele cria nessa jornada tão propositalmente incômoda quanto estranhamente catártica e terapêutica. Afinal, o álbum é realmente sobre a ida dele pra terapia...

Sempre vou lembrar com muito carinho do Elephant, do The White Stripes. Se não me engano, foi o primeiro álbum inteiro que ouvi de alguma banda, e é surpreendente o quão autoral, único e cru ele é até hoje. Pra mim o Jack White é um dos gêniozinhos inegáveis da música. Tem muita personalidade e é bem barulhento, do jeito que eu gosto.

Por último, não consigo tirar o Getting Killed do Geese da cabeça desde que esse álbum lançou, lá no ano passado. Eles brincam muito com nossas expectativas de dinâmica em composições, fazendo músicas que soam simples, com timbres muito delicados e belos e que apresentam essas... anti catarses ultra catárticas. Parece impossível, mas é real. É bem estranho, particular e único. Talvez uma das bandas mais interessantes que surgiram nessa década.


Pipe Bacchin (guitarra base e vocais)

Meu primeiro álbum escolhido é o Nurture do Porter Robinson, é meu álbum favorito da vida e eu tenho a sorte de, atualmente, eu sentir que esse é o melhor álbum que eu já vi, que nada na música até agora foi melhor que isso. Além de toda a genialidade musical, de harmonia melodia e timbre, de refrão e de melancolia, a mensagem é muito forte e me ajudou a sobreviver tudo que eu passei depois de conhecer esse disco, e a aliviar o peso de coisas que eu havia vivido antes. No encarte do vinil vem escrito "Nurture is about the things in life you can change", dentre algumas traduções pra palavra 'Nurture', eu gosto de escolher a que traduz para "Carinho é sobre as coisas da vida que podemos mudar".

Outro disco que eu escolho é o "22, a million" do Bon Iver. Cada vez que eu ouvi esse álbum as palavras e símbolos desconexos e de alguma forma entrelaçados se encontraram em um lugar diferente da minha cabecinha. A produção é gigante ao mesmo tempo que é minimalista, a harmonia cresce e diminui quando precisa e o fluxo da melancolia é constante conforme as nuances. Eu gosto muito mesmo de elementos 'digitais' em canções, e acho que o que mais me agrada, conecta e me impressiona nesse álbum é como ele ta recheado de elementos eletrônicos, mas ainda soa acústico, pela crueza dos sentimentos.

Por último 'Discovery' do Daft Punk. Foi um álbum muito importante na minha adolescência e talvez minha primeira experiência individual com a música, sentia como se só eu naquele momento do espaço e tempo gostava e entendia aquilo. Foram as primeiras músicas que eu me conectei e que me fizeram sentir "Ei! eu queria fazer isso", a partir desse sentimento comecei a compor música, que é algo muito importante na minha vida e foi crucial para passar pela pandemia. Não vivi a época do Daft Punk, mas escuto essas músicas com muita nostalgia hoje em dia e essas melodias são a trilha sonora do meu cérebro, que enviesam as minhas composições e opiniões musicais até hoje.


Quer conhecer os som dos caras? Ouça abaixo.