Depois de transformar ruas da cidade de São Paulo em espaços de sensibilidade e inclusão, o projeto Graffiti Pra Cego Ver inicia um novo capÃtulo. A iniciativa, que leva a arte urbana para além da visão, convida o público a experimentar a obra pelo tato, pela audição e pela imaginação.
A proposta segue firme: tornar a arte urbana acessÃvel a pessoas com deficiência visual por meio de variadas texturas, inscrições em Braille e QR codes com áudios descritivos. Mais que uma adaptação, trata-se de uma vivência artÃstica completa, onde o toque e a escuta ganham protagonismo e permitem a todos explorar os sentidos para “ver” uma obra artÃstica de outra forma.
O próximo painel, que chega à cidade de Campinas (SP), vem das mãos — e da vivência — de Gustavo Dimg, artista que desde 2012 se dedica ao grafite e que hoje mergulha em pesquisas sobre a presença e a expressão do corpo negro na sociedade. Em seu trabalho mais recente, a capoeira aparece como elemento central, trazendo a energia, a ancestralidade e a resistência dessa manifestação cultural para o muro.
Dimg carrega uma história que dialoga profundamente com o projeto. Deficiente visual, ele descreve a experiência de criar uma obra pensada para ser tocada e sentida como algo transformador. “É olhar para uma ótica que nem eu mesmo, que sou deficiente visual, tinha experimentado. Esse projeto ultrapassa o limite do grafite como comunicação visual e chega a uma outra linguagem”, reflete.
Assim como nas edições anteriores, o painel permite que pessoas cegas ou com baixa visão tenham acesso integral à experiência. A proposta, porém, não se limita à adaptação: o convite é para que todos explorem a arte tocando, escutando e se conectando de um jeito novo.
Serviço:
Local da instalação do Grafitti pra cego ver:
Instituto Campineiro dos Cegos Trabalhadores (ICCT)
Endereço: Avenida Washington Luiz, 570 – Campinas (SP)